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Qual a importância que nos damos?

ECOA

08/02/2020 04h04

Uma grande amiga, professora de espanhol para estrangeiros no Chile, tomou a liberdade de traduzir um dos meus textos para utilizá-lo em suas aulas. Alguns de seus alunos me fizeram algumas perguntas e foi interessante refletir sobre elas e responder a tudo de forma tranquila. O que me faz pensar na importância que damos à nossa importância dentro das nossas comunidades.

Cada um de nós é um fator de influência na parte da sociedade em que estamos incluídos. É claro que para certas pessoas, essa tal parte é mais alargada e elas falam para mais pessoas, voluntária ou involuntariamente. E quando fazemos parte de uma comunidade sempre visada, essa involuntariedade da fala é mais perceptível.

Estamos sempre sob constante escrutínio público, seja de nossos amigos ou de nossos detratores. Mostrar-nos é necessário, mas nem sempre o queremos. Afinal, temos vidas também, e a nossa intimidade e privacidade também existem. Não me apetece a ideia de ficar sempre atenta às minhas atitudes por receio de julgamentos alheios. Uma existência asséptica, sem defeitos, parece muito chata e desumanizante. Temos direito a ter nossos defeitos, desde que não machuquem os outros, e temos direito de ficar calados quando queremos.

Mas não é sobre o silêncio que deveria falar. Aliás, nem sei por que entrei nesse assunto. Talvez para chegar no ponto de que as nossas falas chegam ao outro e este outro processa a informação de uma forma que nunca conseguiremos adivinhar. Obviamente, falo de assuntos que atiçam a curiosidade das pessoas. Algumas delas se sentem à vontade de compartilhar suas experiências, outras só curtem e repassam, e outras se acham no direito de destilar seus mais vis sentimentos.

Quanto às primeiras, peço desculpas por não dar atenção, mas reflito sobre o que falam. Sobre as segundas, continuem assim, quanto mais pessoas lerem o que escrevemos, melhor. Sobre as últimas, apenas sinto pena e espero que esse ódio todo seja realocado em coisas boas.

Sobre a autora

Estudante de Letras, Mari Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

Sobre o blog

Falar de si e falar de um mundo melhor. Como as experiências pessoais de uma pessoa que já enfrentou tanto por ser quem é podem contribuir para que o mundo seja mais diverso e inclusivo?

Marina Rodrigues