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Pessoas trans resistem e transformam o próprio mundo

ECOA

25/01/2020 04h00

29 de janeiro é o Dia Nacional de Visibilidade Trans. Nessa mesma data, em 2004, travestis e transexuais estiveram no Congresso Nacional para sensibilizar aqueles que dizem representar o povo sobre os problemas desta comunidade tão sofrida. Mas hoje não quero falar sobre sofrimento. Uma das bases de ECOA é falar sobre quem faz a diferença. Então, por que não falar de pessoas trans que fazem ou fizeram a diferença no mundo por seus feitos, suas palavras, enfim, por sua militância em prol da dignidade?

Por que não falar do finado João? João que para ser quem era praticamente nasceu de novo. Começou do zero mesmo e fez uma brilhante passagem pelo mundo mostrando a todos sua capacidade. Pessoas trans podem ser lutadoras.

Por que não falar de Jaqueline? Jaqueline que todos os dias espalha lucidez e mostra que a Academia precisa ser mais plural e mais tolerante, e que, com sua pesquisa, está mudando a opinião dos especialistas sobre o que é a transgeneridade. Pessoas trans também podem ser pesquisadoras.

Por que não falar de Paula? Paula que faz um lindo trabalho de conscientização daquelas pessoas que devem zelar pela proteção dos direitos da coletividade, tornando-as aptas a oferecer atendimentos mais humanizados. Pessoas trans podem ser empreendedoras públicas.

Por que não falar de Luna? Luna que não tem medo de falar de suas cicatrizes e seus prazeres, e que faz isso de uma forma muito competente, cheia de personalidade. Pessoas trans podem ser escritoras.

E por que não falar de Mari, esta que aqui escreve? Mari que com todo o acesso que conseguiu na sua vida, pode falar sem medo numa coluna de um site importante e mudar, nem que seja um pouco, a compreensão das pessoas sobre o mundo em que vivemos. Pessoas trans podem ser influenciadoras.

Há tantas outras pessoas trans que, anonimamente, também mudam o seu entorno, tornando-o mais compreensivo e mais fraterno. Nossa simples existência é um recado: podemos ser tudo o que quisermos, vamos fazer a diferença no mundo e temos de resistir a tudo que nos quer fazer mal!

Sobre a autora

Estudante de Letras, Mari Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

Sobre o blog

Falar de si e falar de um mundo melhor. Como as experiências pessoais de uma pessoa que já enfrentou tanto por ser quem é podem contribuir para que o mundo seja mais diverso e inclusivo?